Do ex-blog de César Maia, ontem:
Os fatos ocorridos e ocorrendo em SP só fazem demonstrar, mais uma vez, que as polícias estaduais não terão como reprimir crimes sem fronteiras, como os tráficos de drogas e de armas. Por melhor que seja uma policia estadual, ela não tem articulação internacional direta para trocar informações e tomar a iniciativa como prevenção. O crime se diz organizado quando o objeto do crime tem alto valor de troca e permite profissionalizar o núcleo de uma quadrilha. Não há como dar combate ao crime organizado lastreado nos tráficos de drogas e armas, sem que o governo federal assuma funções de comando, coordenação e liderança.Não há Federação mais forte que a dos EUA. No entanto o combate ao crime organizado tem nas instâncias federais -DEA, FBI e Guarda Nacional- sua matriz de responsabilidade. Mais uma vez um Estado vive uma situação de emergência como a que SP vive. Já ocorreu no RJ, no Espírito Santo. E sempre com o sistema prisional -controlado pelas quadrilhas, (facções)- como referência. Tais organizações só existem da forma conhecida, pelo tipo de crime que as sustenta. E este crime -sem fronteiras- não poderá ser reprimido sem comando federal.O presidente da república e o ministro da justiça oferecerem apoio -como já o fizeram outras vezes em outros estados -neste governo e em governos anteriores- é de uma hipocrisia a toda prova. É como se não fosse problema deles e que apenas se prestam a ajudar. Não é assim. É problema diretamente da instância federal pela característica do crime. Perguntem se as autoridades brasileiras -da Polícia Federal por exemplo- se relacionam com as polícias de Ohio ou Los Angeles ou New Jersey ou em relação à repressão aos tráficos de drogas e de armas? Certamente não. Seus contatos são o DEA, o FBI e a Interpol.O crime com base no tráfico de drogas se espalha pelo Brasil a taxas alarmantes. Seu principal indicador é o índice de homicídios de jovens/homens entre 16 e 24 anos. Conheçam as estatísticas para cidades tão pacatas como Cuiabá ou Macapá há 25 anos atrás, em 1980. Cuiabá passou de 2 homicídios por 100 mil jovens de 16 a 24 anos, para quase 120. Macapá de menos de 10 para quase 120. Isso para não falar do Rio, SP, Vitória, Recife, Baixada Fluminense, Grande SP, Baixada Santista, etc., onde a comparação entre 2000 e 1980 oferece taxas de crescimento estonteantes.Não há mais como os governos federais se omitirem atrás do mesmo discurso de apoio. Cabe ao Congresso Nacional -se o governo federal não aceitar que seja por lei- aprovar Emenda Constitucional atribuindo ao governo federal tal função de coordenação, comando e liderança nesse processo e criar -nesta mesma emenda constitucional- o Ministério de Segurança Pública. Antes que tenhamos saudades dos fatos de hoje.Centenas de comentários de políticos e cidadãos de Vitória e do Rio, neste fim de semana, comparando suas tragédias similares com esta de SP, e dando a elas caráter menor, são prova disso. Que o Congresso Nacional não apenas debata. Mas tenha a iniciativa que tais graves fatos merecem. Já!

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