Paulo de Tarso Venceslau vai com munição pesada para a acareação com o "pagador de contas" de Lula. Resta saber se desta vez o STF não vai suspender o tão esperado confronto, como fez anteriormente.
Conforme notícia publicada hoje no Jornal do Brasil, a acareação entre o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, e o ex-militante petista Paulo de Tarso Venceslau, marcada para hoje na CPI dos Bingos, promete fortes emoções. Paulo de Tarso disse que apresentará documentos para comprovar suas acusações contra o dileto amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Okamotto certamente espera ser confrontado com as supostas provas, que já estão em poder de Paulo de Tarso há muitos anos, mas, mesmo assim, a situação deve causar constrangimento.
A papelada soma cerca de 500 páginas e já está na sala da CPI em Brasília desde a última semana, em envelope lacrado. O ex-militante disse que só hoje vai formalizar a entrada dos papéis. Segundo ele, são documentos produzidos pelo próprio PT, nos idos de 1995, quando o partido apurou suas denúncias de que Paulo Okamotto e Roberto Teixeira, amigos de Lula, teriam montado um esquema de caixa 2 em prefeituras paulistas administradas pelo PT no início dos 90, entre elas, São José dos Campos, então capitaneada pela atual deputada Ângela Guadagnin.
Na época, as investigações foram comandadas por petistas históricos e considerados idôneos até pela oposição: o economista Paul Siner e os juristas Hélio Bicudo e José Eduardo Martins Cardozo, hoje deputado. Concluída a apuração, o relatório teria pedido punição a Okamotto e Teixeira. Mas, por pressão de Lula, ambos teriam sido poupados. Paulo de Tarso foi expulso do partido em 1998.
Na última semana, a acareação entre os dois ex-companheiros foi suspensa por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (SFT):
- Vou levar o material que a burocracia petista omite. A investigação interna do partido comprovou o que eu denunciei. As pessoas não sabem que tudo está registrado - afirma o ex-militante, que diz não ter apresentado os documentos antes porque acha que Não levei antes porque ''tudo tem seu tempo''. - Não tem novidade, mas são provas do que eu sempre disse.
A oposição não gostaria de restringir o tema da acareação ao suposto caixa 2 em prefeituras petistas. Se pudesse, aproveitaria a presença do amigo do presidente para exigir esclarecimentos sobre o pagamento feito de dívidas de Lula e de sua filha Lurian Cordeiro feito por ele. Mas outra liminar do STF protegeu Paulo Okamotto: as perguntas dos senadores deverão se limitar a pontos de divergência entre declarações anteriores dos acareados.
O presidente do Sebrae já declarou à CPI ter pago em 2004 uma dívida de R$ 29.400 de Lula com o PT. O dinheiro foi registrado na prestação de contas do partido de 2003. Okamotto afirmou que fez o pagamento em dinheiro por orientação do então tesoureiro do partido, Delúbio Soares. Descobriu-se depois que ele também quitou em 2002 uma dívida de R$ 26 mil de Lurian. Além disso, doou R$ 24.840 para a campanha de Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, à Prefeitura de São Bernardo do Campo, em 2004.