O clima não foi dos melhores na reunião que definiu Anthony Garotinho como vencedor das "prévias" do PMDB - e que viraram apenas uma consulta informal depois das liminares concedidas pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Vidigal, contra sua realização.

Preocupado com o lucro político que os governistas teriam em caso de racha entre Germano Rigotto e Garotinho, o presidente do PMDB, Michel Temer, foi duro com eles na reunião que durou mais de duas horas e terminou no início desta madrugada:

- Nós vamos passar a madrugada aqui. Mas não saio sem um resultado nas mãos.

O impasse tinha um nome: Rigotto. O governador gaúcho não queria aceitar o resultado minutos depois do fim da apuração. No total, cerca de 12 mil filiados do PMDB votaram. Rigotto teve quase o dobro dos votos de Garotinho, mas perdeu por causa do critério de pesos diferenciados dados aos votos nos Estados.

Por exemplo: em Pernambuco, Rigotto teve 211 votos contra 31 de Garotinho. No Pará, Garotinho teve 27 e Rigotto, sete. Só que o Pará elegeu mais parlamentares do PMDB do que Pernambuco em 2002. Sendo assim, os votos do Pará valiam 4,6% do total. E de Pernambuco, míseros 1,4%. Quem saiu perdendo? Rigotto.

Por este critério, o placar final foi 56,6% para Garotinho e 43,4% para Rigotto. Só que o governador gaúcho aceitou as regras antes do jogo. E tentou mudá-las quando viu que perdeu.

Na reunião, Rigotto disse a Temer e Garotinho que seria um desastre político para ele voltar ao Rio Grande do Sul com uma derrota tendo sido o mais votado, informa Leandro Colon, repórter do
blog do Noblat.

- Não posso voltar para o meu Estado com uma derrota desta maneira, disse.

Alertados por assessores de que a imprensa começava a noticiar que os chamados oposicionistas estavam rachando, os três chegaram a um acordo: Temer anunciaria Garotinho como vencedor, mas ressaltaria aos jornalistas que Rigotto foi o mais votado e que perdeu por causa das regras.

Os dois pré-candidatos não falariam nada. Declarações somente nesta segunda. Até para evitar de cair na bobagem de mostrar que estavam prestes a romper.

Foi o que Temer fez. Anunciou Garotinho e disse que Rigotto, apesar da derrota, trabalharia dentro do PMDB pela candidatura de Garotinho (e todo mundo fingiu que acreditou).

Garotinho ficou calado. Rigotto também. Só que, diferentemente da alegria do ex-governador do Rio, não conseguiu esconder a irritação por não mudar o resultado no tapetão.

Teoricamente, isso tudo não tem qualquer validade, mas serviu para tirar Rigotto da disputa e mostrar que os oposicionistas não estão tão unidos como parecem. Fazendo justiça à história do PMDB.

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