Segue na integra artigo enviado pelo nosso leitor Eduado Martins falando a respeito da violência em nosso país:
A ocupação militar nas favelas cariocas tem trazidos imensas repercussões em nosso país. Alguns visualizam essa operação das forças armadas de uma forma positiva – me incluo nesse rol de pessoas – uma vez que, por mais incrível que pareça, os traficantes encontraram um adversário a altura e “tremeram nas bases”. Outros vêem como absurda o uso do Exército, com todo seu poderio bélico, contra o próprio povo. Mas a causa de minha revolta se deu ao chegar no trabalho e ler a seguinte notícia na Folha de São Paulo: “Moradores elaboram relatório em que apontam abusos em ocupação”.A reportagem diz o seguinte: “Moradores do morro da Providência, na zona portuária do Rio, elaboraram documento em que apontam supostos abusos do Exército durante dez dias de ocupação na favela. Afirmam ter tido 50 caixas-d’água furadas e apontaram mais de cem casas e estabelecimentos com marcas de balas. ‘Uma vida se foi, duas crianças foram baleadas, moradores apanharam e tivemos vários prejuízos. Queremos justiça e esperamos que seja reparado o que os militares deixaram de errado, porque no prejuízo moral ninguém pode ajudar’, disse a presidente da Associação de Moradores, Márcia Regina Alves. Ela disse não ser contra a presença do Exército na favela. ‘Nós queremos apenas respeito. Os moradores estão perdidos e a ficha ainda não caiu’.” A reportagem termina relatando que o documento foi encaminhado ao secretário de Direitos Humanos do Rio de Janeiro. É difícil expressar minha raiva, no sentido estrito da palavra, ao me deparar com atitudes como essa. Pressupondo que tudo que foi relatado por essa senhora seja verdadeiro eu faço a seguinte pergunta: E daí? Sábado pela noite, eu estava no Bourbon Shopping Ipiranga, em Porto Alegre, quando a loja de jogos ao lado do supermercado foi assaltada. Os assaltantes trocaram tiros e feriram um policial fora de serviço que se encontrava no local. A humilhação de sair correndo feito um covarde, na companhia de minha namorada e de meus amigos, para não morrer, também não vai ser reparada. Ou será que devo encaminhar algum documento para o departamento de recursos humanos da favela pedindo indenização por ter abandonado minhas compras para lutar pela sobrevivência? No mínimo iriam rir da minha cara, alegando que eu sou “playboy”, “filho de papai”, que eu tenho dinheiro para me manter e eles não. Na pior das hipóteses, me vejo chegando na entrada da favela sendo chamado de “branquelo” e sendo linchado pelos moradores da “comunidade”. Engraçado como a vida nos prega peças. A indignação dos moradores da Providência por apenas 10 dias de intervenção militar sem grandes conseqüências, já que os bens perdidos são mínimos, perto do que a sociedade “civilizada” tem tolerado a cerca de 20 anos ou mais, é no mínimo exagerado. É preciso alertar a essa senhora, presidente da associação dos moradores, que a violência está tão fortemente enraizada na sociedade que as pessoas estão aprendendo a viver com ela, e precavendo-se da melhor forma possível, e eles deveriam fazer o mesmo. Não reagir a um assalto (hoje bandido bom é aquele que só rouba), andar de carro blindado, grades em todas as aberturas da casa ou apartamento (já tem ladrão homem-aranha), seguro de tudo quanto é possível, condomínio isolados onde as crianças não conhecem a cidade que moram, são algumas das inúmeras medidas tomadas pela população contra a violência. Se 10 caixas-d’água e traumas nas pessoas são motivos para a elaboração de relatório sobre a atuação do Exército, faltaria papel ao resto das pessoas atingidas, de alguma forma, pela criminalidade e violência dos marginalizados. O que restou da família do médico de Porto Alegre que foi fuzilado na porta de sua casa após ter retornado da praia para acionar o alarme de sua casa, e assaltantes estavam “esvaziando” sua residência? O trauma de seus colegas de trabalho que lhe atenderam e não conseguiram salvar sua vida? Como explicar o trauma, financeiro e emocional, dos trabalhadores da Aracruz Celulose, que tiveram seu local de trabalho destruído por um bando de arruaceiros, rindo para as câmeras de tv após a “bem sucedida” operação? O que seria desse que vos fala se algo tivesse acontecido com minha namorada ou meus amigos dentro da batalha proporcionada pelos assaltantes do Bourbon Shopping? O que teria acontecido ao meu amigo Paulo caso tivesse tentado fugir quando do assalto de seu automóvel? O que restou para a família de meu vizinho, que foi abrir a porta de sua casa ao ouvir a campainha e recebeu, de boas vindas, um tiro na testa por pessoas que desgostavam de suas atitudes? Não me venham com discursos demagógicos de diferenças sociais, falta de oportunidades, problemas sociológicos, por que essa eu já não engulo mais. Aprendi a viver nessa sociedade, desse jeito, e por causa dela perdi qualquer sentimento de caridade a esse tipo de pessoas, capazes de matar e exigir proteção. Por culpa única e exclusiva deles não acredito nesses movimentos sociais, que usam ignorantes como massa de manobra para realizar sua ideologias baratas e utópicas. Não sinto mais pena daqueles que recebem na carne o que fazem aos outros. Generalizo sim, porque bom é o traficante que ajuda o “morro”, dando uma caixa-d‘água, e ruim é o Exército que diminuiu a criminalidade, mesmo que por alguns dias. Os traficantes sentiram medo pela primeira vez e estão usando a comunidade como escudo. Azar dos fracos que se sujeitam a isso. Rebelem-se contra aqueles que realmente são causas geradoras de tais respostas governamentais, como a ação do exército nas favelas cariocas, e não me apareçam com petições à Direitos Humanos. Pedem o respeito mas não sabem aplicar essa palavra. As famílias de mulheres estupradas gostariam de lhes ensinar o que é respeito. Pedem justiça e ressarcimento, mas terão a mesma resposta que “nós”, quando somos violados em nosso direitos, recebemos: o Estado não pode estar em todos os lugares. São as mazelas da sociedade que criam essa situações incontroláveis. Pois bem, agora é a nossa vez de reagir. Não reclamem, pois não tem moral para isso. Não peçam, pois vocês tomam muitos mais do que isso. O ditado é verídico: quem com ferro feri, com ferro será ferido. Está na hora de provarem do gostinho de ser reprimido e ameaçados por alguém. Aceitem o revide, pois a vida é assim mesmo. Façam como eu e aceitem que a violência é uma questão sem solução e escolham seu lado e suas armas. A batalha já começou e vocês estão vendo isso agora.
* Cabe salientar, para fins legais, que as opiniões aqui emitidas são de responsabilidade do autor e não são necessariamente as mesmas de quem produz esse blog.

1 Comentários

Anônimo disse…
HEHE minha mãe tava nesse assalto no bourbom tb... saiu do elevador bem na hora que os assaltantes tavam fugindo. Quanto ao conteúdo, o exército tem mais eh que combater os traficantes, pois afinal de contas devem deixar de ser um peso morto sustentado pelo estado. Afinal de contas, numa querra poco podem fazer contra os demais exercitos do mundo. Pelo menos podem treinar um poco para quando ocorrer a guerra da àgua. Eh isso ae, um abraço pah todos!
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