Um mistério continua a rondar as investigações da Caixa e da PF sobre a violação do sigilo bancário do caseiro Nildo: o quanto os dois gerentes que entraram no sistema, e até mesmo a gerente nacional Sueli Mascarenhas e a diretora Diva de Souza Dias, sabiam sobre o que estava por trás da ordem de “fazer a pesquisa” bancária sobre a conta-poupança de Francenildo dos Santos Costa.
Esse tipo de pesquisa é comum e serve para orientar decisões dos gerentes de agências, gerentes nacionais e diretores. É claro que isso é comum, mas por razões técnicas e com os dados dos clientes sendo preservados, em vez de violados pela entrega dos extratos à mídia.
Os funcionários de carreira da Caixa já fizeram chegar à direção do banco que não aceitam punições daqueles que apenas cumpriram ordens de superiores sem saber para que serviriam as informações dos extratos pedidos.
– Rui Nogueira
Até agora, a PF e a investigação interna da Caixa chegaram à seguinte cadeia de ordens para a violação do sigilo bancário do caseiro “Nildo”:
1) Dois gerentes do banco, Jeter Ribeiro de Souza e um nome que continua sendo mantido em sigilo, teriam entrado no sistema das contas de poupança e extraído os extratos do caseiro. Jeter foi mostrado na noite de sexta-feira pelo Jornal da Globo, e seria o gerente do laptop usado para entrar no sistema. O gerente que não teve o nome revelado vai depor nesta segunda, na PF. Segundo a Polícia Federal, também nesta segunda-feira, à tarde, vai ser ouvido o presidente da CEF, Jorge Mattoso;
2) Jeter, disse à PF, ao depor na noite de sexta-feira passada, que os extratos do caseiro Nildo foram solicitados pro Sueli Mascarenhas, da gerência que faz a integração nacional das Políticas de Gestão;
3) Sueli teria feito o pedido aos gerentes atendendo a ordens de dois altos funcionários da vice-presidência de Logística e Gestão de Pessoas: Carlos Alberto Cotta (vice-presidente) e Diva de Souza Dias (diretora de Logística);
4) A ordem que acionou a vice-presidência de Logística e Gestão partiu do gabinete de Mattoso. A PF tem a informação de que o chefe de gabinete de Mattoso, Luiz Phillipe Torelli, teria recebido a incumbência do próprio presidente e disparado a cadeia de ordens que acabou na violação do sigilo do caseiro por volta das 22h da noite de quinta-feira, dia 16.
Informações vazadas de dentro da Caixa começam a revelar a cadeia de nomes por trás da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo. Ainda que alguns desses nomes sejam de petistas pré-dispostos a ajudar a salvar o governo Lula e seus ministros, o certo é que nenhum deles faria o que fez sem uma ordem superior da Caixa.
E o alto escalão da Caixa não daria as ordens que deu sem o consentimento ou conhecimento de alguém da Fazenda, ou da Fazenda e do Planalto. Portanto, não há como o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, se livrar da demissão.
A Polícia Federal já sabe que o presidente da República tomou conhecimento da operação de violação antes da divulgação dos extratos do caseiro pela revista Época, sexta-feira.
Um dos fios das suspeitas em investigação pela PF leva ao gabinete do assessor especial do presidente para assuntos externos, Marco Aurélio Garcia, que é muito amigo de Jorge Mattoso. Essa é uma suspeita em investigação, repito, e não uma acusação.
Fonte: Polibio Braga