Até parece que Eliane Cantanhêde da Folha escutou o último programa que gravei (Rio Grande Pod nº 09 - para baixá-lo, clique aqui; para escutá-lo direto no computador, clique aqui), mas obviamente não o fez. Na realidade o que falei no programa e o ela escreve é sobre um sentimento que está se impregnando nas mentes da grande maioria dos brasileiros e deixando preocupado sobre os rumos do país e suas instituições, o mais simples cidadão de bem.
Por Eliane Cantanhêde, Folha de São Paulo (23/03/06)
- O prefeito de Ribeirão Preto vira ministro da Fazenda e, ato contínuo, sua turma esquisita da prefeitura aluga uma mansão na capital da República por módicos R$ 15 mil mensais. Um dos inquilinos, de nome Buratti, já foi até preso por andar aprontando por aí, mas o Planalto acha tudo naturalíssimo.
- A CEF quebrou ilegalmente o sigilo bancário do cidadão Francenildo, um caseiro que ousou testemunhar contra o poderoso ministro da Fazenda. É uma violência do Estado à Constituição do Brasil.
- Os desembargadores de Minas fizeram greve de um dia contra o estabelecimento de um limite para seus salários, mesmo depois de o Judiciário ter aprovado a volta da contribuição previdenciária para os aposentados.
- O Exército é acusado de negociar com o Comando Vermelho, uma das mais deletérias organizações criminosas do país, para obter de volta armas roubadas de um quartel no Rio.
- O Supremo Tribunal Federal não pára de interferir diretamente nas decisões do Congresso e é diariamente acusado de infringir uma das mais elementares normas constitucionais: a independência entre os Poderes.
- Para completar, o Superior Tribunal de Justiça mete a mão numa decisão interna de um partido político, impedindo a realização de prévias formais do PMDB.No frigir dos ovos, tanto o presidente do Supremo, Nelson Jobim, como o do STJ, Edson Vidigal, trocam a toga por uma legenda, ansiosos para disputar eleições. Num dia, Vidigal interfere num partido. No dia seguinte, filia-se a outro para concorrer ao governo do Maranhão.
- Delúbio Soares reclama na Justiça o ressarcimento de R$ 200 mil por uma pergunta de concurso público com um personagem chamado Delúbio que não era flor que se cheirasse. De réu, passa a ser vítima.
- Enquanto isso, o Congresso continua absolvendo "mensaleiros".
Não há uma "CPI do Fim do Mundo", há o próprio fim do mundo.