Nelson Jobim, felizmente, despediu-se do Supremo Tribunal Federal. Agora só vai ser político. Ainda bem. Se ele anunciasse que iria ser caseiro de algum poderoso, eu não o estimularia. Gosto dos que temos. Um presidente de corte que não pode ser caseiro porque lhe faltam, em vez de lhe excederem, qualidades está com problema. Em seu discurso, numa solenidade em que foi agraciado com a Grã-Cruz do Congresso Nacional (como assim?), mostrou que foi acometido do que costumo chamar de “Síndrome Dalva de Oliveira”. Saiu-se com o seu “Errei, sim/ manchei o teu nome...”, numa alusão à música de Ataulfo Alves. Quero alertar os políticos: chega de conversa mole e de clichê.
Vejam o que disse o político Jobim sobre sua atuação como chefe máximo da Suprema Corte: “Só comete erros quem faz, porque quem não faz não comete erros, critica”. Errado. Aplicado o conceito, como critério absoluto, à vida pública, trata-se de uma visão totalitária de mundo. Querem ver? Imaginem Costa e Silva comentando o AI-5: “Só comete erros quem faz, porque quem não faz não comete erros, critica”. Saddam Hussein explicando por que mentiu, plantando falsas evidências de que tinha armas de destruição em massa: “Só comete erros quem faz, porque quem não faz não comete erros, critica”. Bush explicando o desastrado pós-guerra no Iraque: “Só comete erros quem faz, porque quem não faz não comete erros, critica”. Vou para o extremo. Hitler sobre o Holocausto: “Só comete erros quem faz, porque quem não faz não comete erros, critica”. Stálin sobre a morte de 35 milhões de pessoas: “Só comete erros quem faz, porque quem não faz não comete erros, critica”. Mao Tsé-tung sobre o extermínio do dobro disso: “Só comete erros quem faz, porque quem não faz não comete erros, critica”.
Para continuar lendo o artigo de Reinaldo Azevedo publicado ontem no site Primeira Leitura, clique aqui.

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