Artigo de Rui Nogueira pubicado em 17/03/06.
O Poder Judiciário precisa parar para pensar. Parar no sentido figurado, mas pensar no sentido mais do que objetivo. Seus líderes, que são, ao mesmo tempo, juízes e cidadãos políticos, deveriam passar em revista as últimas decisões do Poder – não me refiro só às sentenças, mas também a elas. O ministro Nelson Jobim, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e chefe do Poder Judiciário, destrambelhou, politicamente falando, faz tempo, e o colega dele, Edson Vidigal, que preside o Superior Tribunal de Justiça (STJ), segue-o nos piores exemplos.
A quebra de decoro de juízes e políticos afeta igualmente as instituições a que pertencem, Judiciário e Legislativo, respectivamente. A diferença é que um político, além de ser mais facilmente criticado e acuado, pode ainda ser obrigado a renunciar ao mandato, investigado e ter o mandato cassado e, não menos importante na escala de castigos democráticos, pura e simplesmente derrotado nas urnas. Um juiz também se submete a vários códigos de conduta, mas está longe de ser um alvo tão publicamente exposto quanto um político. E não é fácil de responsabilizar pelos erros que comete.
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